sábado, 16 de junho de 2018

Corre para se inscrever!


     A inquietude das propostas cênicas e processos educativos do Teatrodança me deram a atitude para convidar a psicanalista e educadora Hélia Borges na continuidade do Seminário, acontecido em 2015, com a Mestra Angel Vianna, gente preocupada com corpos afetados pelas pequenas percepções nas suas relações com os diferenciados mundos.   
     Para os seres interessados sobre a capacidade inventiva da vida [para não deixarmos que poderes e saberes esvaziem nossos potenciais]. 
    O Grupo Teatrodança, que recebeu a colaboração da UNDB-Psicologia e do Espaço de Yoga RemeR, abre inscrições para Palestra e Roda de Conversa no Fórum: corpo, movimento e processos de subjetivação. Crítica e Clínica. 
     Em plenos festejos juninos estamos preparando questões para o fórum, em julho, no grupo de estudos ‘Metamorfoses do Corpo’, que instiga estudos e discussões nas práticas de cada participante. O acesso é gratuito, mas tenho observado novas escolhas e encaminhamentos pelas observações levantadas no grupo. 
     Afinal, a arte pensa quando a metodologia trata do campo encarnado do imprevisível.         

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Salve João Ferreira!

    Em seu livro 'Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra' Mia Couto me faz pensar na impermanência e localizar como 10 anos passam rápido: 'morto amado nunca mais para de morrer'. João, parte da família de mesmo sangue que apoia o que se considera minhas danças estranhas, irmão generoso em seus ensinamentos, atravessou com potência os processos do Teatrodança.
    E mais mortes se somam aqui com Sérgio Figueiredo Ferretti, outro generoso em seus compartilhamentos sobre os rituais das brincadeiras populares maranhenses, que me propiciou a publicação das investigações em antropologia cênica que resultaram no trabalho 'Sagração Coureira', mito interpretado por Igor Stravinsky e mixado aos volteios da capoeira e do tambor, e que imolava a perda de nossa auto estima para renascer com graça na brincadeira crioula.
    'Espirais' nasceu em épocas de passagem acelerada das culturas maranhenses como incrementos turísticos, o que me levou às composições do período colonial, o medievo-nordeste como denominou o 'Música Antiga', que fortaleceu nossos ideais. João Ferreira materializou as veias latino americanas abertas com texto publicado no programa, que possibilitou objetivos claros ao Teatrodança:   

'Para entender o Brasil, é preciso colocá-lo em seu contexto, a América Latina, com a qual não se identifica integralmente, mas participa daquela mesma comunidade de origem ibérica, com traços religiosos comuns, além de estilos políticos e de insucessos equivalentes no árduo caminho da modernidade política, ética e econômica.
Assumir a condição mestiça é nosso imperativo de autenticidade e a condição para discussão de nossos problemas coletivos.
Em tempos passados, viajantes aportavam ao Brasil e, passado um tempo escreviam relatos que muito alimentaram o imaginário dos europeus como o nosso exotismo. Muitas mentiras, com sabor de aventuras, tornaram-se verdadeiras, como autênticas premonições sobre a realidade futura (agora presente).'             

    Aproveito a circunstância de morte para realizar ritual afetivo de devolução aos Tremembé do município de Raposa, Durval-Francisca-Rosa-Valquíria, que na montagem de 'A terra chora' ensinou como os mais truculentos e assassinos exterminadores da cultura indígena não retira dela o aspecto do bom coração, que é generoso, límpido e compassivo.
   Hoje, quinta, 24 de maio-2018, celebro meu irmão morto com os Tremembé, e devolvo para a comunidade os materiais do espetáculo, processo discreto e sofrido.       

terça-feira, 24 de abril de 2018

Profissão: Artista

    Questão: agrupar seres que se desdobram fazendo dança no Maranhão é ótimo por reavivar memórias.
    Questão: no momento em que se cogita extinguir a profissão de artista precisamos de reflexões.
    Questão: onde está a escola de dança estadual? Licenciatura? Mercado? Continuidade nas formações? Discussões continuadas?
    Questão: somos corpos. Portanto, somos atuantes. Amostragens de processos é pouco em ambiente que permanece em desequilíbrio. Necessitamos de relações de coproduções.
São questões levantadas.
Afinal, somos corpos dançantes. Ou não?     

quinta-feira, 29 de março de 2018

Guarnece Hélia Borges

   Não somos profetas mas sobrevivemos até os 33 anos. Com o Grupo Teatrodança compartilho sonhos. Que venho experimentando desde o núcleo familiar pela educação libertária e, depois, com Angel Vianna pelo processo artístico que acredita como os corpos se completam pela alteridade.
   Lamento que nos foi possível trazê-la até São Luís somente 30 anos depois do meu retorno para o seminário tão sonhado e plenamente realizado. 

    Mas reportando ao rito cristão desta época experimento no coletivo artístico modos de gestões que se baseiam no sentimento de alteridade para que se construa mandalas, traçadas e coloridas coletivamente, convocando parentes e sujeitos. Agora com a presença de Hélia Borges, uma psicanalista esculpida no sistema Angel Vianna, antenada com corpos que desempenham o papel de uma infra-língua, como o filósofo e educador moçambicano José Gil, convivendo com corpos metamorfoseados, que nos considera, materialidade e corporeidade, como 'transdutores de signos'.
    O Grupo Teatrodança em suas produções preza por pedir contribuições dos participantes contando com seus potenciais, na linha das tradições que creem nas compaixões valendo mais que ouro, ou quem sabe valoradas igualmente, gerando méritos que irão fortalecer o que está sendo construído. No momento do convite me encantou quando Hélia, reconhecida e aplaudida, decidiu celebrar com nossos corpos reconhecendo esta Ilha como polo cultural e presenteando o Teatrodança.
    Para quem queira apreender ensinamentos e práticas guarneça conosco. Chegue junto, chegue mais para mais outro fórum com palestras e rodas de conversas. Vai perder?               

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Chegue mais sambador, cantador, é o zambê

Geraldo Cosme tocando o zambê, conhecido como pau furado




Pescador traga a canoa
Que eu quero atravessar
O zambê de seu Geraldo
Tá botando pra quebrar


 Depois do período passado lá em Cabeceiras de Baixo, nas belezas de Tibau do Sul, junto com as sabedorias que reinam por lá, me chega agora o carnaval que fala pouco dos contentamentos.
Ora, sambar já foi repudiado.
Foi?
Será?
O Teatrodança em sua última montagem sentiu como o contentamento ensinado pelos indígenas e orientais não é lá muito aceito...
Pois corre o risco de desaparecer! Como o zambê de sambadores e tocadores. Permaneço acreditando que a fidelidade de gente como a família Cosme mantém este mundo vivo e pulsante.     
Salve quem samba, toca, atua, preserva e, principalmente, vive com contentamento! 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O que faz a Velha Juju?



Narrativas de nossos ancestrais. 

Vejam só: a dramaturgia foi elaborada nas experiências com os intérpretes do Teatrodança e baseada nas vivências com crianças da educação infantil quando percebi relações entre o novo e o velho calcadas em estereótipos: velho não dança, não é alegre, não é comunicativo. E aí surge a Velha Juju! Com a Serpente Protetora, um dos dragões que fortalecem nossa humanidade, e neste ciclo que encerra o ano entra em cena a Tocadora Florista com as sonoridades das pastorais natalinas. Prodígio: da mala nasce o Menino que remete ao outro menino que não encontrou abrigo para nascer!



Convidados para estarem na Associação Maranhense de Escritores Independentes, sábado, dia 9 de dezembro, 16 horas. 
Criançada, vamos lá! 
Encenei, Eline Cunha fez direção sonora, e atuamos eu, ela e Alex Costa!